Filed under: das pessoas.
Pouco a pouco a tão boa memória que julguei ter quando o assunto é você vem desaparecendo. Pouco a pouco os fragmentos que julguei eternos se dissipam em meio a dor, tristeza ou apenas incompreensão de tudo que se passou. Devo admitir, já que creio que esta é a hora, que dor e tristeza são sentimentos escassos quando me lembro de você. Ainda admitindo, devo passar-te a ciência de que incompreensiva são todas as tuas ações: antes, durante e agora. Pouco a pouco ainda tento lembrar-me como era feliz com você e esquecer que o sentimento de que nunca serei feliz é passageiro – como você se mostrou ser.
Mesmo agora, enquanto te escrevo, não consigo lembrar se algum dia, de fato, o prometemos que não iríamos embora. Mesmo agora, não consigo compreender o porquê de eu mesma não ter quebrado nossos votos de que não iríamos nos afastar. Mesmo agora o agora parece bem distante, como uma sombra no futuro, ainda que escrever para ti não passe da minha permanência contínua no passado. Não te odiar não é uma evolução. Não sentir tristeza não é ser racional. Não te sentir, no entanto, ainda parece um caminho longo demais, principalmente com tuas aparições repentinas de caráter desconhecido.
Evito-te, nego-te, tento odiar-te, esquecer-te. Mas, inconscientemente, sei que deveria esquecer de tentar esquecer-te. Sem sentido, sem por que, sem lógica ou explicação plausível. Tal qual me confundistes, deveria eu me confundir com o fim de causar, em toda incompreensão, irracionalidade o bastante para me iludir com falsos argumentos próprios que me convençam de que, mesmo com ou sem você, buscar compreender o que aconteceu não mudaria nada do que já vivi.
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