Altruísmo: Amor ao próximo; abnegação; filantropia.
Egoísmo: Excessivo amor aos próprios interesses, sem atender aos dos outros.
Amor…
dois opostos que se atraem. O amor é isso, a capacidade de uma só relação existir um ser altruísta e um egoísta, que cambiam entre si a fim de manter um equilíbrio no relacionamento. Relações, no entanto, são mais complexas, principalmente se o amor estiver nela. Existem casais onde o cambio entre altruísmo e egoísmo não existe, eles permanecem imutáveis. Relações onde a troca existe e funciona bem. Ou até mesmo relações que começam com ambos os lados cedendo sempre um ao outro, mas que a falta de equilíbrio acaba por transformar em egoísmo ao passo que o equilíbrio não existe. Enfim… existem muitos relacionamentos, e eu não sou exatamente uma expert neles.
Mas com o nosso, bem, no nosso eu sempre fui bem amadora, e continuo sendo mesmo 11 meses de ausência e uns 7 de presença. Fazendo as contas parece um período bem longo, mas passou tão rápido que isso pode ser a razão para que nenhum de nós tenha mesmo entendido as lições que cruzamos durante o caminho. Altruísmo, egoísmo, admitir erros, entender um ao outro. Tudo foi transposto enquanto convivíamos, mas facilmente esquecido durante o período de ausência. Esquecemos até mesmo das coisas simples como sinceridade, carinho, educação, modos… a medida que um foi ferindo o outro e se tornou mais importante cuidar de si do que cuidar do “nós”.
Estar num relacionamento ensina muito pra quem quer aprender. Foi num relacionamento contigo que aprendi que a coisa mais importante é o egoísmo. Querer o próprio bem acima de tudo, e só então querer o bem do próximo. As maiores mágoas que causamos uns aos outros são frutos do altruísmo e do auto flagelamento que nos impomos, e se fossemos um pouco mais egoístas saberíamos que o nosso bem é o bem do outro, e o bem do outro é o nosso, tudo numa mistura entre bem e mal no qual os dois precisam coexistir. Nós sempre soubemos lidar com o bem, mas sempre fomos péssimos ao enfrentar os problemas que surgiam a nossa frente. Tu, com toda a tua razão, sempre tornavas tudo claro e definido aos meus olhos e eu, eu tentava pintar as cores das emoções fortes que borbulhavam dentro de mim.
Quem quer que tenha dito que razão e emoção se completam deveria ter alertado que isso só serve para indivíduos. Relacionamentos precisam que os dois tenham tanto razão quanto emoção, ambas as coisas não se completam em recipientes e em temperaturas diferentes. Não existe certo e errado ao se falar de emoções. Emoções não são racionais, e razão, essa as vezes é racional ao ponto de beirar a frieza. E ser frio com quem te ama machuca, e se você ama, os dois saem perdendo. Aliás, não vamos esquecer do terceiro elemento fundamental aos relacionamentos: sinceridade.
Saiba polir suas verdades. Verdades machucam, e pensar duas vezes antes de dizê-las não significa medo, mas ser empático. Diga que ama apenas se amar. E mesmo se amar considere os efeitos que expressar, ou não, seus sentimentos poderão causar. Quero dizer, é fácil entender que você quer confessar seus sentimentos, mas me parece impossível entender quando você quer voltar atrás. Dito isso, cuidado com as metáforas, analogias, ambiguidades e coisas subentendidas no geral. Seja claro, conciso e coeso. Ninguém merece ouvir dos lábios que já amou a sentença de que todo o conto de fadas que se viveu não passou de uma ilusão e que, na verdade, nunca ouve um amor recíproco.
Querido, se você é do tipo que faz isso, das duas uma: Ou você não tem coração ou não tem cérebro.
Então, voltando a tríade necessária num relacionamento: emoção, razão e sinceridade. Um relacionamento não existe sem os três, lembre-se disso. Controle suas emoções quando precisar, chute a razão pra escanteio, mas nunca abra mão da sinceridade. Acima de tudo, seja sincero com você, seja egoísta e se esforce para se entender antes de entender o outro, mas nunca esqueça que existe o outro lado. Você não é o único no relacionamento, muito menos precisa estar num relacionamento servil onde se subjuga ao outro.
E se acabou, bem, lembre-se: seja sincero com você mesmo, e com o outro, acredite que pode estar “tudo bem” do outro lado, mesmo que seu castelo de conto de fadas tenha sido destruído até virar um velho “era uma vez…”. A pior coisa é sentir pena de quem você amou, não acreditar que está tudo bem e tentar consolar quem, no fundo, aprendeu a viver sem você… mesmo que há pouco mais que 4 meses atrás.
Por fim, acredite que quem ama, ama pra sempre. E se você deixou de me amar, bem, você entendeu o que deu errado agora, né?
“Não sei quanto tempo ainda fico, mas vou ficando. Quero escrever mais, voltar à praia… Sem últimas esperanças. Temos esperanças novinhas em folha, todos os dias. E nenhuma, fora de viver cada vez mais plenamente, mais confortáveis dentro do que a gente, sem culpa, é. E te cuida, por favor, te cuida bem. Qualquer poço mais escuro, disque 0512-33-41-97. Eu posso pelo menos ouvir. Não leve a mal alguma dureza dita. É porque te quero claro. Citando Arantes, pra terminar: ‘Eu quero te ver com saúde I sempre de bom humor I e de boa vontade’.” (Caio Fernando Abreu – Carta ao Zézim – Porto, 22 de dezembro de 1979)
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