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Pouco a pouco a tão boa memória que julguei ter quando o assunto é você vem desaparecendo. Pouco a pouco os fragmentos que julguei eternos se dissipam em meio a dor, tristeza ou apenas incompreensão de tudo que se passou. Devo admitir, já que creio que esta é a hora, que dor e tristeza são sentimentos escassos quando me lembro de você. Ainda admitindo, devo passar-te a ciência de que incompreensiva são todas as tuas ações: antes, durante e agora. Pouco a pouco ainda tento lembrar-me como era feliz com você e esquecer que o sentimento de que nunca serei feliz é passageiro – como você se mostrou ser.
Mesmo agora, enquanto te escrevo, não consigo lembrar se algum dia, de fato, o prometemos que não iríamos embora. Mesmo agora, não consigo compreender o porquê de eu mesma não ter quebrado nossos votos de que não iríamos nos afastar. Mesmo agora o agora parece bem distante, como uma sombra no futuro, ainda que escrever para ti não passe da minha permanência contínua no passado. Não te odiar não é uma evolução. Não sentir tristeza não é ser racional. Não te sentir, no entanto, ainda parece um caminho longo demais, principalmente com tuas aparições repentinas de caráter desconhecido.
Evito-te, nego-te, tento odiar-te, esquecer-te. Mas, inconscientemente, sei que deveria esquecer de tentar esquecer-te. Sem sentido, sem por que, sem lógica ou explicação plausível. Tal qual me confundistes, deveria eu me confundir com o fim de causar, em toda incompreensão, irracionalidade o bastante para me iludir com falsos argumentos próprios que me convençam de que, mesmo com ou sem você, buscar compreender o que aconteceu não mudaria nada do que já vivi.
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Assistia. Vidrado na tevê, seus olhos sequer piscavam a cada fala do político sobre suas propostas para o possível mandato. Olhava, ouvia, sentia. Seus nervos a flor da pele a cada nova declaração. Não importava exatamente o por quê, mas seus nervos tiniam, os olhos apertavam e seus punhos se cerravam num ódio sobrehumano. Ódio. Era isso que sentia. Puro e infantil ódio. Esqueceria o motivo, fatalmente, mas o sentimento permanecia puro e intacto diante da injustiça cometida diante de bilhões de seres humanos. O motivo, que talvez nem tivesse consciência, era esse: injustiça enfiada goela abaixo, sem direito de resposta nem argumentação lógica. Injustiça pura e simples, adulta e estratégica, jamais infantil como sua sensibilidade contra aquele tipo de atitude.
Cerrou os punhos com mais força, os nós dos dedos já brancos, as lágrimas de raiva nos olhos e um flashback tomou-lhe. Tinha cinco anos, talvez seis. Durante o jogo de queimada todos riam ao (tentar) desviar do perigo iminente. Crianças alegres ao se divertirem. A bola – ferozmente lançada em sua direção – e um lapso de atenção da professora a tornara aquela pessoa que repudiava injustiça. Seu time estava mais preocupado consigo mesmo. Seus adversários uniram-se em uma força poderosa: a coletividade. Sua palavra, contra a de dez ou doze amigos, não valia nada. Por mais que argumentasse, brandisse ou se exasperasse, sua versão de nada valia. Era inferior as vozes que afirmavam que a verdade era mentira e que a mentira era verdade.
Não podia dizer que aceitara seu destino. Irritada, chorosa e emburrada, a pequena garota seguiu para seu canto, odiando a tudo e a todos que participaram de tamanha injustiça. O erro cometido por um grupo, ainda que de crianças, espelhava a sociedade na qual se veria anos depois. Uma sociedade que não pensa duas vezes em afirmar que a bola tinha lhe acertado, sem se importar se havia ou não batido no chão primeiro. Uma sociedade que estava mais interessada em queimar o próximo, unida, e depois, um a um, destruir os inimigos que, se tentassem entender mais profundamente, não passava da verdade sem voz que corria silenciosa pela garganta de todos na quadra. Que corria na mente de todos que elegeriam aquele e tantos outros políticos capazes de inverter a verdade e mentira sem sequer hesitar entre o certo e o errado, interessados apenas na própria vitória.
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The Last Kiss
-Faça uma coisa por mim.
-O quê?
-Vá pra casa, conte a ela que acabou e deixe-a.
-Não posso.
-O quê? Você é um cara incrível. Você não precisaria estar aqui comigo agora a menos que você soubesse que estivesse faltando algo em sua vida. Você não pode forçar as coisas. Quero dizer, relacionamentos, ou funcionam, ou não funcionam. Eu posso ser a sua última chance de felicidade.
-beijo-
-Venha pra dentro.
-Não posso.
-Okay. Boa noite.
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Mais do que querer você de volta, eu ME quero de volta, quero a felicidade nos meus olhos mirados em você. Eu quero a gente, eu quero tudo de novo, eu quero as coisas antigas, as primeiras, TODAS! Me devolve seu sorriso? Parece que eu não te faço mais sorrir, assim eu desespero mesmo. É uma resposta simples pra uma pergunta simples: Você vai voltar?
(Caio Fernando Abreu)
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Esses dias tenho sentido muito sono, aliás, essa é a única sensação que tenho me permitido sentir. O sono é algo que eu não tenho conseguido domar, mesmo que eu durma. E se/quando durmo, esses dias, tenho acordado sem sonhar, nenhuma lembrança do que aconteceu numa das melhores partes do meu dia. Sono tem sido tudo aquilo que eu não posso matar, esquecer ou evitar sentir. Sono é a sensação que tenho tido enquanto espero não sentir medo, saudade, tristeza, angústia, impotência, etc. O sono tem sido tudo, não tem ido embora e, da mesma forma que você, eu não consigo tirar de dentro de mim.
Altruísmo: Amor ao próximo; abnegação; filantropia.
Egoísmo: Excessivo amor aos próprios interesses, sem atender aos dos outros.
Amor…
dois opostos que se atraem. O amor é isso, a capacidade de uma só relação existir um ser altruísta e um egoísta, que cambiam entre si a fim de manter um equilíbrio no relacionamento. Relações, no entanto, são mais complexas, principalmente se o amor estiver nela. Existem casais onde o cambio entre altruísmo e egoísmo não existe, eles permanecem imutáveis. Relações onde a troca existe e funciona bem. Ou até mesmo relações que começam com ambos os lados cedendo sempre um ao outro, mas que a falta de equilíbrio acaba por transformar em egoísmo ao passo que o equilíbrio não existe. Enfim… existem muitos relacionamentos, e eu não sou exatamente uma expert neles.
Mas com o nosso, bem, no nosso eu sempre fui bem amadora, e continuo sendo mesmo 11 meses de ausência e uns 7 de presença. Fazendo as contas parece um período bem longo, mas passou tão rápido que isso pode ser a razão para que nenhum de nós tenha mesmo entendido as lições que cruzamos durante o caminho. Altruísmo, egoísmo, admitir erros, entender um ao outro. Tudo foi transposto enquanto convivíamos, mas facilmente esquecido durante o período de ausência. Esquecemos até mesmo das coisas simples como sinceridade, carinho, educação, modos… a medida que um foi ferindo o outro e se tornou mais importante cuidar de si do que cuidar do “nós”.
Estar num relacionamento ensina muito pra quem quer aprender. Foi num relacionamento contigo que aprendi que a coisa mais importante é o egoísmo. Querer o próprio bem acima de tudo, e só então querer o bem do próximo. As maiores mágoas que causamos uns aos outros são frutos do altruísmo e do auto flagelamento que nos impomos, e se fossemos um pouco mais egoístas saberíamos que o nosso bem é o bem do outro, e o bem do outro é o nosso, tudo numa mistura entre bem e mal no qual os dois precisam coexistir. Nós sempre soubemos lidar com o bem, mas sempre fomos péssimos ao enfrentar os problemas que surgiam a nossa frente. Tu, com toda a tua razão, sempre tornavas tudo claro e definido aos meus olhos e eu, eu tentava pintar as cores das emoções fortes que borbulhavam dentro de mim.
Quem quer que tenha dito que razão e emoção se completam deveria ter alertado que isso só serve para indivíduos. Relacionamentos precisam que os dois tenham tanto razão quanto emoção, ambas as coisas não se completam em recipientes e em temperaturas diferentes. Não existe certo e errado ao se falar de emoções. Emoções não são racionais, e razão, essa as vezes é racional ao ponto de beirar a frieza. E ser frio com quem te ama machuca, e se você ama, os dois saem perdendo. Aliás, não vamos esquecer do terceiro elemento fundamental aos relacionamentos: sinceridade.
Saiba polir suas verdades. Verdades machucam, e pensar duas vezes antes de dizê-las não significa medo, mas ser empático. Diga que ama apenas se amar. E mesmo se amar considere os efeitos que expressar, ou não, seus sentimentos poderão causar. Quero dizer, é fácil entender que você quer confessar seus sentimentos, mas me parece impossível entender quando você quer voltar atrás. Dito isso, cuidado com as metáforas, analogias, ambiguidades e coisas subentendidas no geral. Seja claro, conciso e coeso. Ninguém merece ouvir dos lábios que já amou a sentença de que todo o conto de fadas que se viveu não passou de uma ilusão e que, na verdade, nunca ouve um amor recíproco.
Querido, se você é do tipo que faz isso, das duas uma: Ou você não tem coração ou não tem cérebro.
Então, voltando a tríade necessária num relacionamento: emoção, razão e sinceridade. Um relacionamento não existe sem os três, lembre-se disso. Controle suas emoções quando precisar, chute a razão pra escanteio, mas nunca abra mão da sinceridade. Acima de tudo, seja sincero com você, seja egoísta e se esforce para se entender antes de entender o outro, mas nunca esqueça que existe o outro lado. Você não é o único no relacionamento, muito menos precisa estar num relacionamento servil onde se subjuga ao outro.
E se acabou, bem, lembre-se: seja sincero com você mesmo, e com o outro, acredite que pode estar “tudo bem” do outro lado, mesmo que seu castelo de conto de fadas tenha sido destruído até virar um velho “era uma vez…”. A pior coisa é sentir pena de quem você amou, não acreditar que está tudo bem e tentar consolar quem, no fundo, aprendeu a viver sem você… mesmo que há pouco mais que 4 meses atrás.
Por fim, acredite que quem ama, ama pra sempre. E se você deixou de me amar, bem, você entendeu o que deu errado agora, né?
“Não sei quanto tempo ainda fico, mas vou ficando. Quero escrever mais, voltar à praia… Sem últimas esperanças. Temos esperanças novinhas em folha, todos os dias. E nenhuma, fora de viver cada vez mais plenamente, mais confortáveis dentro do que a gente, sem culpa, é. E te cuida, por favor, te cuida bem. Qualquer poço mais escuro, disque 0512-33-41-97. Eu posso pelo menos ouvir. Não leve a mal alguma dureza dita. É porque te quero claro. Citando Arantes, pra terminar: ‘Eu quero te ver com saúde I sempre de bom humor I e de boa vontade’.” (Caio Fernando Abreu – Carta ao Zézim – Porto, 22 de dezembro de 1979)
Porque eu vou morrer é de amor! Gritou pra quem quisesse ouvir, e para os que não quisessem também. Agora já não mais importava o que todos dissessem. Podia sentir o vento em seus cabelos longos e lisos, num castanho tão escuro, e ao mesmo tempo tão claro, que confundia-lhe a cabeça. O cheiro da poluição, o cheiro de perfume, as raras gotas que caiam em seu rosto vindo de algum ar condicionado preso num arranha-céu. Ele vai me matar! Mas o ele não tinha identidade certa. Perdera-se na fila para o RG, e duvidava até que houvesse uma certidão em seu nome. Mesmo que todas as certidões tivessem um pouco dele. Ou assim supunha-se.
No topo do prédio, os olhos no céu, seu coração doía. Por vezes tinha abraçado seu corpo, acreditando que aquilo pudesse manter os fragmentos de corpo, alma e mente em seus devidos lugares, todos juntos e sólidos. Enganou-se tantas vezes ao confiar na força dos dois frágeis pedaços de carne, ou melhor, nos seus frágeis pedaços de carne. Claro, pois certamente não se sentiria assim se fossem dela. Sim, dela. A única razão para que seu peito se ferisse repetidamente, suas lágrimas rolassem sem freio e seu rosto amanhecesse tão cheio que fazia-lhe chorar novamente, imaginando a lua cheia que compartilharam em sonhos. Aliás, era o que era, um sonho.
Seus cabelos negros, ou castanhos, caindo suavemente em curvas pelo rosto cheio – cheio de vida, de amor, de doçura. Seus olhos quentes que derretiam-lhe a alma, e que imaginara tantas e tantas vezes lhe olhando como amor, mas agora sabia que não expressavam nada além de ódio, ou pior, descaso. Desprezo. Des tudo. Os lábios que lhe sorriam e diziam as mais doces palavras que já ouvira, agora permaneciam fechados e sérios. E mesmo suas bochechas, seu nariz tortos ou a forma como seus olhos corriam de um lado pro outro pareciam-lhe defeitos adoráveis. Mas o que mais lhe doía, o que mais arruinava sua alma, não era a falta que ela fazia. Não era a falta que sentiria de ver seus olhos correrem apressados, sérios, pela tela, e como tudo terminava num sorriso, doce e por vezes infantil. Não.
O que mais lhe doía era a forma como seu amor, seu único e mais verdadeiro amor, lhe desprezava, e ainda assim era feliz. Não, não se engane. Sempre quisera sua felicidade, estando junto a ela ou não. Mesmo que o corpo dela pertencesse à outros, como agora, e que seu coração perdesse o ritmo por um amor que não era seu. Sempre. E mesmo assim, apenas sendo puro e jovem, seu amor amigo, confidente, lhe bastava. E lhe bastaria para toda a vida. Então sim, estava certo. O amor lhe mataria. Ou melhor, a ausência do seu amor.
Tantas palavras presas na garganta, apodrecendo no peito; tantas lágrimas no rosto, terminadas na boca, peito e mãos; tantos sonhos, acordados ou não. Tanto lhe passava pela cabeça, e pelo peito, que a ausência dela, a frieza com que lhe tratara, a forma com suas palavras pareciam cortas seu peito, sua alma, sua mente. Tudo aquilo pouco a pouco lhe consumia. Suas lágrimas haviam secado, e mesmo assim a dor continuava ali, doendo – sangrando. Abraçara seu corpo tantas vezes, mas seu coração continuava partido, espalhando fragmentos por todas as partes, distribuindo falsos sorrisos e dizendo aleatórios “estou bem” como quem pergunta as horas na espera de algo. Algo jamais terá.
Mas não era só seu corpo, ou sua alma, continuava numa batalha perdida contra sua mente. Em meio à sonhos imaginava sua mão na dela, seus sorrisos juntos, pequenos momentos que nunca existiriam de uma felicidade pura e saudável, um amor bobo e que lhe bastava. Tudo isso para acordar só, sem corpo, ou alma, ou mente. Só. Como sempre fora. Sempre até ela. Fechou os olhos apertando-os bem. Sonhando com memórias que nunca foram suas. E, só agora notava, nunca seriam. Chorava lágrimas salgadas, como a do mar que nunca sentira molhar os pés. E sentia, sentia, sentia. Só. Sentia dor, sentia medo. Era o desespero de quem ama, de quem prefere a morte à perder, e ganha a morte. E ganha muitas coisas mais. Como a certeza de nunca ter tido tudo aquilo que achava. De saber a verdade, e que a verdade doía mais que todo o resto. Resto que era tudo, e para ela era nada.
Uma última lágrima caiu. Um último segundo passou. E a última brisa atingiu seu rosto. Pensou que podia voar. Pensou tanto que seus braços pareciam mais fortes, seguros sobre o peito quebrado e despedaçado. Aliás, tinha pensado que ela seria sua um dia. Assim como o sonho, se desfragmentou contra o chão de concreto, sentindo sobre os olhos as lágrimas quentes. Sentindo sobre o peito a dor. E sentindo nos lábios um eu te amo mudo, que cala. E que sozinho, como ela, jamais seria ouvido. Era só o fim, nunca o começo.
[music: agora aguenta coração - roupa nova.]
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Não lembro de ter andado tão cansada assim, e pela primeira vez, não é cansada do mundo, é apenas… cansada. Quando o corpo reclama e a mente não se deixa descansar, por vontade própria ou fatores externos. A mente sem descanso se torna caótica, o corpo sem descanso se torna um peso. E não importa o que digam, as vezes os pesos sobre nossos ombros são maiores do que podemos carregar.
Sempre ouvi dizer que trabalho dá trabalho, a frase por si só já parece estúpida e óbvia, trabalho é trabalhoso, o que mais seria? Mas você só entende quando vive. E digo isso porque pessoas como eu, as quais acham que mesmo o trabalho que você pensa que gostar te fará feliz, te deixa cansada. Mesmo que ainda te faça feliz. É até engraçado, não faz muito tempo o meu horário de “trabalho” era usado como entretenimento, e não me cansava tanto, então o que mudou?
A resposta é simples e curta, cabe em apenas uma palavra: responsabilidade. O tal peso de que falam, bem, ele está lá. Pressionando seus ombros pra baixo, curvando seu corpo na frente do objeto do qual você existe perfeição… a perfeição que você tem de criar não porque quer, mas porque precisa. Precisa impressionar. Não é pelo dinheiro, mas pelo prestígio, porque não importa o que digam, você espera elogios pra não se achar incompetente. Um trabalho mediano é o mesmo que nenhum trabalho, então nós queremos nos superar.
Nós sempre queremos nos superar.
E a cada dia novas pessoas compartilham do mesmo objetivo: prestígio, reconhecimento! E assim o mundo gira, na nossa eterna utopia capitalista de um mundo melhor e mais saudável, desde que no final, seja o nosso bolso que esteja cheio… e nossas faces que pareçam na televisão.
Filed under: do acaso.
Lembro vagamente de como começou esse meu amor por séries. Desde criança, no entanto, me recordo de ver coisas como: Punky, O Mundo é dos Jovens ou Ciência Travessa, de fato se for tentar lembrar quais foram todas as séries que vi, vou me perder em lembranças. Fato não é esse, a Crise dentro do mundo do Showbusiness Norte-Americano, veio em decorrência da greve dos roteirista, no ano passado – me corrijam se eu estiver errada. Desde então o “drama” de muitas pessoas que acompanham essas séries começou. Muitas foram canceladas, as que não foram passaram por hiatus de meses e meses, e até hoje tentam se recuperar disso – One Tree Hill e Gossip Girl, ou mesmo Lost, são claros exemplos – outras não tiveram tanta sorte. A atualização de hoje é mais ou menos uma crítica sobre isso.
Há algum tempo, com o início das aulas da faculdade de Jornalismo no ano passado, muito nos foi dito sobre os bastidores das notícias, o pano de fundo do entretenimento global e como tudo isso, mesmo o que vem para informar e acaba sendo transformado em entretenimento com notícias banais, está atrelado à um termo cunhado por Adorno e Hokkeimer – acho que até hoje não sei escrever o nome do segundo, mas continuemos. Indústria Cultural, como o termo diz, é uma forma de falar sobre como a mídia está atrelada a valores capitalistas, já que as pesquisas de audiência que supostamente servem para agradar o público visam esse agrado em troca de dinheiro, nada mais óbvio, certo? A mesma I.C. (como vou chamar o termo Indústria Cultural de agora em diante) que agrada milhões em programas de pura baixaria e fundo apelativo – como as novelas ou o Big Brother, por exemplo – é a que é responsável pelo controle da informação importante, colocando fatos na mídia em detrimento de outros, ou equiparando os valores notícias de matérias como o último discurso do Lula à morte de Clodovil Hernandes. Certo ou errado, não importa, mas fato é que este último vem atrelado não ao fato em si, mas ao que o sucede, como a reunião de atores e cantores no enterro ou homenagens póstumas.
Dentro da Televisão Livre (ou não-paga) nós temos a falsa ilusão de controlar isso com telefonemas, críticas ou a queda da audiência – nos E.U.A. existem abaixo assinados para isso ou aquilo – mas ao tratarmos de Televisão Paga, bem, temos de mudar de figura. Afinal, a Televisão por Assinatura é um produto pelo qual você paga, ou não é? Existem lojas de colchões que dão um prazo de 30 dias para a pessoa testar o colchão, e trocá-lo por outro que a agrade mais se preferir; se você não está satisfeito com a sua operadora, existe agora algo chamado “portabilidade”, então porque com a Televisão Paga haveria de ser diferente?
Com o fim da greve dos roteiristas muitas séries tiveram seus “Episódios Finais” com mais dúvidas que o início de suas temporadas o trouxeram, alguns como October Road tem planos para finalizar a série com um resumo compreensível, e satisfatório se comprarmos à fins como o de Kyle XY. Li em um dos comentários sobre o teórico Final, a seguinte frase, que reflete uma realidade verdadeira: Essa é a melhor série da ABC Family, se eu quisesse ver adolescentes engravidando era só dar uma olhada pelas escolas pela América. Não estou entrando em questão de ser ou não a melhor série, no entanto quantas séries, novelas, filmes ou mesmo livros se distinguem do que estamos acostumados hoje? Nos divertem e instigam? Gossip Girl, One Tree Hill, Skins, Grey’s Anatomy, C.S.I., Cold Case; como essas existem várias! E mesmo que sejam interessantes, nos prendam, o que elas nos dão em troca? Digo mais, o qualquer uma dessas séries nos dão em troca?
Acredito que para iniciarem um debate sério, com pessoas como Sérgio Amadeu – que eu ainda me pergunto o que estava fazendo no MTV Debate – sobre a teórica pirataria que ronda os episódios, livros, músicas, legendas, programas distribuidos sem qualquer custo, não deveriam re-pensar em quais argumentos deveriam bater. Afinal, você pagaria um cd se soubesse que apenas duas faixas dele te agradassem e o resto fosse puro lixo? Faria assinatura de TV à Cabo se soubesse que seus programas podem ser cancelados sem qualquer fim, ou mesmo algo que resuma o fim? Deixaria de ler um livro ou baixar um programa sabendo que a estimativa de tempo para ele ser lançado aqui seria algo como meses – e se ele fosse lançado?! Muitos dos “telespectadores digitais” compram boxes, assinam petições para suas séries não sejam canceladas, e contribuem direta ou indiretamente para o andamento da indústria do entretenimento, e então nos aparece Lobão, na sua santa capacidade de gerir debates, e nos vêm com a seguinte pérola:
Pô, legal, o pessoal ‘tá assistindo, tem comunidade no orkut, milhões tão gostando cara. Mas eu to liso!
Se me perguntarem se li algum livro pela internet e comprei-o depois por ter gostado, eu os digo: Inúmeros. Se me perguntarem se comprei cds depois do advento do MP3, continuo: Nenhum! Não porque isso se encaixe em pirataria – este precisa gerar um lucro à uma das partes para se concretizar como – ou eu esteja tentando por um fim a indústria da música que já lucrou tanto com isso, mesmo porque antes da internet as fitas já eram reproduzidas, os cds já eram copiados, e cassetes vendidos. Não os compro pelo preço, pelo fato de não me satisfazerem em seu todo e não estarem preocupados em fazê-lo. O artista agora não se sustenta do lucro que vem dos CDs, ele evoluiu. Enquanto não ganha com os 30 reais do plástico que entupia nossas bancadas, ganha em público em seus Shows. Sou contra o socialismo por achá-lo utópico, mas se os músicos, atores, produtores e etc, dizem que amam tanto suas profissões, porque o lucro – ou a diminuição dele – seria um problema?
A realidade do Brasil não é – e jamais foi – a de países de primeiro mundo quando se trata de média per capita, a pirataria é uma forma de atingir mais pessoas com um preço menor, e por isso não sou completamente contra. Como podem nos cobrar um preço sobre algo baseado num povo diferente? Mas de uma coisa eu tenho certeza: quando se parar pra pensar em qualidade, e não em quantidade, a televisão, os jornais, as revistas, a própria internet, e porque não a vida como um todo?, teriam um resultado melhor do que o que mancha a realidade hoje em dia.
Enquanto isso vamos levando, em um brinde de champagne, acompanhado de caviar e uma roda do alto escalão midiático que interfere tanto no que somos hoje.
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Desde que me entendo por estudante de jornalismo – e coloquemos aqui um ano e um pouquinho mais – comecei a entender um pouco mais do que eu faria pelo resto da minha vida. De fato esse post poderia passar batido, não fosse a estranha idéia que paira sobre as pessoas com quem converso: Os Jornalistas são reconhecidos e saem da faculdade com algum Status. Bem, não falo por todos os focas, mas ao menos quando eu entrei na faculdade, já sabia um pouco da dura, cansativa, desestimulante e mal paga carreira de jornalista. Isso é mais do que muita gente sabe.
Durante esse mês a série de opiniões surperfíciais – e nem por isso menos importantes ou estúpidas – me fizeram uma pessoa crítica, ou só chata mesmo. Isso porque diálogos como:
-Faz faculdade é, de quê?
-Jornalismo.
Normalmente vem seguido de perguntas como: Quais as novidades? Ou afirmações do tipo: Vocês tem de saber tudo! ou ainda Uau, legal, vai pra Globo hein? Fato é que ainda existem pessoas que vêem o jornalismo como uma coisa simples, cujo o futuro é grandioso e os salários são dignos de coberturas em Copacabana e férias na Disney – ao menos duas vezes no ano.
Não nego que alguns jornalistas são bem remunerados, mas que todos passaram pela mesma jornada de: QI (quem indica), Foca, Repórter e por fim a glória de entrar no notíciario. Mas fica a pergunta:
Quantos jornalistas você conhece por nome que não estão na televisão?
Minha pesquisa até agora é quase unânime: ninguém passa de dois.