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das pessoas que nos apaixonam;
14 14UTC janeiro 14UTC 2010, 2:30 PM
Arquivado em: das paixões., das pessoas.

Porque eu vou morrer é de amor! Gritou pra quem quisesse ouvir, e para os que não quisessem também. Agora já não mais importava o que todos dissessem. Podia sentir o vento em seus cabelos longos e lisos, num castanho tão escuro, e ao mesmo tempo tão claro, que confundia-lhe a cabeça. O cheiro da poluição, o cheiro de perfume, as raras gotas que caiam em seu rosto vindo de algum ar condicionado preso num arranha-céu. Ele vai me matar! Mas o ele não tinha identidade certa. Perdera-se na fila para o RG, e duvidava até que houvesse uma certidão em seu nome. Mesmo que todas as certidões tivessem um pouco dele. Ou assim supunha-se.

No topo do prédio, os olhos no céu, seu coração doía. Por vezes tinha abraçado seu corpo, acreditando que aquilo pudesse manter os fragmentos de corpo, alma e mente em seus devidos lugares, todos juntos e sólidos. Enganou-se tantas vezes ao confiar na força dos dois frágeis pedaços de carne, ou melhor, nos seus frágeis pedaços de carne. Claro, pois certamente não se sentiria assim se fossem dela. Sim, dela. A única razão para que seu peito se ferisse repetidamente, suas lágrimas rolassem sem freio e seu rosto amanhecesse tão cheio que fazia-lhe chorar novamente, imaginando a lua cheia que compartilharam em sonhos. Aliás, era o que era, um sonho.

Seus cabelos negros, ou castanhos, caindo suavemente em curvas pelo rosto cheio – cheio de vida, de amor, de doçura. Seus olhos quentes que derretiam-lhe a alma, e que imaginara tantas e tantas vezes lhe olhando como amor, mas agora sabia que não expressavam nada além de ódio, ou pior, descaso. Desprezo. Des tudo. Os lábios que lhe sorriam e diziam as mais doces palavras que já ouvira, agora permaneciam fechados e sérios. E mesmo suas bochechas, seu nariz tortos ou a forma como seus olhos corriam de um lado pro outro pareciam-lhe defeitos adoráveis. Mas o que mais lhe doía, o que mais arruinava sua alma, não era a falta que ela fazia. Não era a falta que sentiria de ver seus olhos correrem apressados, sérios, pela tela, e como tudo terminava num sorriso, doce e por vezes infantil. Não.

O que mais lhe doía era a forma como seu amor, seu único e mais verdadeiro amor, lhe desprezava, e ainda assim era feliz. Não, não se engane. Sempre quisera sua felicidade, estando junto a ela ou não. Mesmo que o corpo dela pertencesse à outros, como agora, e que seu coração perdesse o ritmo por um amor que não era seu. Sempre. E mesmo assim, apenas sendo puro e jovem, seu amor amigo, confidente, lhe bastava. E lhe bastaria para toda a vida. Então sim, estava certo. O amor lhe mataria. Ou melhor, a ausência do seu amor.

Tantas palavras presas na garganta, apodrecendo no peito; tantas lágrimas no rosto, terminadas na boca, peito e mãos; tantos sonhos, acordados ou não. Tanto lhe passava pela cabeça, e pelo peito, que a ausência dela, a frieza com que lhe tratara, a forma com suas palavras pareciam cortas seu peito, sua alma, sua mente. Tudo aquilo pouco a pouco lhe consumia. Suas lágrimas haviam secado, e mesmo assim a dor continuava ali, doendo – sangrando. Abraçara seu corpo tantas vezes, mas seu coração continuava partido, espalhando fragmentos por todas as partes, distribuindo falsos sorrisos e dizendo aleatórios “estou bem” como quem pergunta as horas na espera de algo. Algo jamais terá.

Mas não era só seu corpo, ou sua alma, continuava numa batalha perdida contra sua mente. Em meio à sonhos imaginava sua mão na dela, seus sorrisos juntos, pequenos momentos que nunca existiriam de uma felicidade pura e saudável, um amor bobo e que lhe bastava. Tudo isso para acordar só, sem corpo, ou alma, ou mente. Só. Como sempre fora. Sempre até ela. Fechou os olhos apertando-os bem. Sonhando com memórias que nunca foram suas. E, só agora notava, nunca seriam. Chorava lágrimas salgadas, como a do mar que nunca sentira molhar os pés. E sentia, sentia, sentia. Só. Sentia dor, sentia medo. Era o desespero de quem ama, de quem prefere a morte à perder, e ganha a morte. E ganha muitas coisas mais. Como a certeza de nunca ter tido tudo aquilo que achava. De saber a verdade, e que a verdade doía mais que todo o resto. Resto que era tudo, e para ela era nada.

Uma última lágrima caiu. Um último segundo passou. E a última brisa atingiu seu rosto. Pensou que podia voar. Pensou tanto que seus braços pareciam mais fortes, seguros sobre o peito quebrado e despedaçado. Aliás, tinha pensado que ela seria sua um dia. Assim como o sonho, se desfragmentou contra o chão de concreto, sentindo sobre os olhos as lágrimas quentes. Sentindo sobre o peito a dor. E sentindo nos lábios um eu te amo mudo, que cala. E que sozinho, como ela, jamais seria ouvido. Era só o fim, nunca o começo.

[music: agora aguenta coração - roupa nova.]



das verdades da vida.
5 05UTC maio 05UTC 2009, 2:58 PM
Arquivado em: do acaso.

Não lembro de ter andado tão cansada assim, e pela primeira vez, não é cansada do mundo, é apenas… cansada. Quando o corpo reclama e a mente não se deixa descansar, por vontade própria ou fatores externos. A mente sem descanso se torna caótica, o corpo sem descanso se torna um peso. E não importa o que digam, as vezes os pesos sobre nossos ombros são maiores do que podemos carregar.

Sempre ouvi dizer que trabalho dá trabalho, a frase por si só já parece estúpida e óbvia, trabalho é trabalhoso, o que mais seria? Mas você só entende quando vive. E digo isso porque pessoas como eu, as quais acham que mesmo o trabalho que você pensa que gostar te fará feliz, te deixa cansada. Mesmo que ainda te faça feliz. É até engraçado, não faz muito tempo o meu horário de “trabalho” era usado como entretenimento, e não me cansava tanto, então o que mudou?

A resposta é simples e curta, cabe em apenas uma palavra: responsabilidade. O tal peso de que falam, bem, ele está lá. Pressionando seus ombros pra baixo, curvando seu corpo na frente do objeto do qual você existe perfeição… a perfeição que você tem de criar não porque quer, mas porque precisa. Precisa impressionar. Não é pelo dinheiro, mas pelo prestígio, porque não importa o que digam, você espera elogios pra não se achar incompetente. Um trabalho mediano é o mesmo que nenhum trabalho, então nós queremos nos superar.

Nós sempre queremos nos superar.

E a cada dia novas pessoas compartilham do mesmo objetivo: prestígio, reconhecimento! E assim o mundo gira, na nossa eterna utopia capitalista de um mundo melhor e mais saudável, desde que no final, seja o nosso bolso que esteja cheio… e nossas faces que pareçam na televisão.



dos conceitos que vem do acaso.
19 19UTC março 19UTC 2009, 3:58 AM
Arquivado em: do acaso.

Lembro vagamente de como começou esse meu amor por séries. Desde criança, no entanto, me recordo de ver coisas como: Punky, O Mundo é dos Jovens ou Ciência Travessa, de fato se for tentar lembrar quais foram todas as séries que vi, vou me perder em lembranças. Fato não é esse, a Crise dentro do mundo do Showbusiness Norte-Americano, veio em decorrência da greve dos roteirista, no ano passado – me corrijam se eu estiver errada. Desde então o “drama” de muitas pessoas que acompanham essas séries começou. Muitas foram canceladas, as que não foram passaram por hiatus de meses e meses, e até hoje tentam se recuperar disso – One Tree Hill e Gossip Girl, ou mesmo Lost, são claros exemplos – outras não tiveram tanta sorte. A atualização de hoje é mais ou menos uma crítica sobre isso.

Há algum tempo, com o início das aulas da faculdade de Jornalismo no ano passado, muito nos foi dito sobre os bastidores das notícias, o pano de fundo do entretenimento global e como tudo isso, mesmo o que vem para informar e acaba sendo transformado em entretenimento com notícias banais, está atrelado à um termo cunhado por Adorno e Hokkeimer – acho que até hoje não sei escrever o nome do segundo, mas continuemos. Indústria Cultural, como o termo diz, é uma forma de falar sobre como a mídia está atrelada a valores capitalistas, já que as pesquisas de audiência que supostamente servem para agradar o público visam esse agrado em troca de dinheiro, nada mais óbvio, certo? A mesma I.C. (como vou chamar o termo Indústria Cultural de agora em diante) que agrada milhões em programas de pura baixaria e fundo apelativo – como as novelas ou o Big Brother, por exemplo – é a que é responsável pelo controle da informação importante, colocando fatos na mídia em detrimento de outros, ou equiparando os valores notícias de matérias como o último discurso do Lula à morte de Clodovil Hernandes. Certo ou errado, não importa, mas fato é que este último vem atrelado não ao fato em si, mas ao que o sucede, como a reunião de atores e cantores no enterro ou homenagens póstumas.

Dentro da Televisão Livre (ou não-paga) nós temos a falsa ilusão de controlar isso com telefonemas, críticas ou a queda da audiência – nos E.U.A. existem abaixo assinados para isso ou aquilo – mas ao tratarmos de Televisão Paga, bem, temos de mudar de figura. Afinal, a Televisão por Assinatura é um produto pelo qual você paga, ou não é? Existem lojas de colchões que dão um prazo de 30 dias para a pessoa testar o colchão, e trocá-lo por outro que a agrade mais se preferir; se você não está satisfeito com a sua operadora, existe agora algo chamado “portabilidade”, então porque com a Televisão Paga haveria de ser diferente?

Com o fim da greve dos roteiristas muitas séries tiveram seus “Episódios Finais” com mais dúvidas que o início de suas temporadas o trouxeram, alguns como October Road tem planos para finalizar a série com um resumo compreensível, e satisfatório se comprarmos à fins como o de Kyle XY. Li em um dos comentários sobre o teórico Final, a seguinte frase, que reflete uma realidade verdadeira: Essa é a melhor série da ABC Family, se eu quisesse ver adolescentes engravidando era só dar uma olhada pelas escolas pela América. Não estou entrando em questão de ser ou não a melhor série, no entanto quantas séries, novelas, filmes ou mesmo livros se distinguem do que estamos acostumados hoje? Nos divertem e instigam? Gossip Girl, One Tree Hill, Skins, Grey’s Anatomy, C.S.I., Cold Case; como essas existem várias! E mesmo que sejam interessantes, nos prendam, o que elas nos dão em troca? Digo mais, o qualquer uma dessas séries nos dão em troca?

Acredito que para iniciarem um debate sério, com pessoas como Sérgio Amadeu – que eu ainda me pergunto o que estava fazendo no MTV Debate – sobre a teórica pirataria que ronda os episódios, livros, músicas, legendas, programas distribuidos sem qualquer custo, não deveriam re-pensar em quais argumentos deveriam bater. Afinal, você pagaria um cd se soubesse que apenas duas faixas dele te agradassem e o resto fosse puro lixo? Faria assinatura de TV à Cabo se soubesse que seus programas podem ser cancelados sem qualquer fim, ou mesmo algo que resuma o fim? Deixaria de ler um livro ou baixar um programa sabendo que a estimativa de tempo para ele ser lançado aqui seria algo como meses – e se ele fosse lançado?! Muitos dos “telespectadores digitais” compram boxes, assinam petições para suas séries não sejam canceladas, e contribuem direta ou indiretamente para o andamento da indústria do entretenimento, e então nos aparece Lobão, na sua santa capacidade de gerir debates, e nos vêm com a seguinte pérola:

Pô, legal, o pessoal ‘tá assistindo, tem comunidade no orkut, milhões tão gostando cara. Mas eu to liso!

Se me perguntarem se li algum livro pela internet e comprei-o depois por ter gostado, eu os digo: Inúmeros. Se me perguntarem se comprei cds depois do advento do MP3, continuo: Nenhum! Não porque isso se encaixe em pirataria – este precisa gerar um lucro à uma das partes para se concretizar como – ou eu esteja tentando por um fim a indústria da música que já lucrou tanto com isso, mesmo porque antes da internet as fitas já eram reproduzidas, os cds já eram copiados, e cassetes vendidos. Não os compro pelo preço, pelo fato de não me satisfazerem em seu todo e não estarem preocupados em fazê-lo. O artista agora não se sustenta do lucro que vem dos CDs, ele evoluiu. Enquanto não ganha com os 30 reais do plástico que entupia nossas bancadas, ganha em público em seus Shows. Sou contra o socialismo por achá-lo utópico, mas se os músicos, atores, produtores e etc, dizem que amam tanto suas profissões, porque o lucro – ou a diminuição dele – seria um problema?

A realidade do Brasil não é – e jamais foi – a de países de primeiro mundo quando se trata de média per capita, a pirataria é uma forma de atingir mais pessoas com um preço menor, e por isso não sou completamente contra. Como podem nos cobrar um preço sobre algo baseado num povo diferente? Mas de uma coisa eu tenho certeza: quando se parar pra pensar em qualidade, e não em quantidade, a televisão, os jornais, as revistas, a própria internet, e porque não a vida como um todo?, teriam um resultado melhor do que o que mancha a realidade hoje em dia.

Enquanto isso vamos levando, em um brinde de champagne, acompanhado de caviar e uma roda do alto escalão midiático que interfere tanto no que somos hoje.



das coisas que a gente escuta.
18 18UTC março 18UTC 2009, 8:51 AM
Arquivado em: das pessoas.

Desde que me entendo por estudante de jornalismo – e coloquemos aqui um ano e um pouquinho mais – comecei a entender um pouco mais do que eu faria pelo resto da minha vida. De fato esse post poderia passar batido, não fosse a estranha idéia que paira sobre as pessoas com quem converso: Os Jornalistas são reconhecidos e saem da faculdade com algum Status. Bem, não falo por todos os focas, mas ao menos quando eu entrei na faculdade, já sabia um pouco da dura, cansativa, desestimulante e mal paga carreira de jornalista. Isso é mais do que muita gente sabe.

Durante esse mês a série de opiniões surperfíciais – e nem por isso menos importantes ou estúpidas – me fizeram uma pessoa crítica, ou só chata mesmo. Isso porque diálogos como:

-Faz faculdade é, de quê?

-Jornalismo.

Normalmente vem seguido de perguntas como: Quais as novidades? Ou afirmações do tipo: Vocês tem de saber tudo! ou ainda Uau, legal, vai pra Globo hein? Fato é que ainda existem pessoas que vêem o jornalismo como uma coisa simples, cujo o futuro é grandioso e os salários são dignos de coberturas em Copacabana e férias na Disney – ao menos duas vezes no ano.

Não nego que alguns jornalistas são bem remunerados, mas que todos passaram pela mesma jornada de: QI (quem indica), Foca, Repórter e por fim a glória de entrar no notíciario. Mas fica a pergunta:

Quantos jornalistas você conhece por nome que não estão na televisão?

Minha pesquisa até agora é quase unânime: ninguém passa de dois.



das situações que geram blogs.
14 14UTC março 14UTC 2009, 2:20 AM
Arquivado em: das coisas.

Não passavam das quatro quando o burburinho inequívoco de mais um dia agitado sou expressivamente em seus ouvidos. Das coisas que estava acostumada, poucas poderiam se dizer interessantes, aquele zumbido desconexo só a fazia pensar se tudo realmente estava no lugar certo. E se não, onde estaria.

-Tu devias criar um Blog, tem gente que cria pra dizer como está triste e acaba com comentários, porque tu não podes também?

-Quem sabe, vou pensar. Mas acho que não tenho sobre o que escrever.

-Escreve sobre como tu estás triste por não poder mais comer fritura.

-Vou virar emo se começar a falar sobre o que não posso comer.

-Verdade.

-Política, economia?

-Complicado.

-Cultura?

-Amplo demais.

-Esporte?

-Pra quê?

-Então o que?

-Ah, sei lá.

-É, vamo ver.

-Que tal humor?

-Com as minhas piadas, não dura nem um mês.

-Crítica?

-Autocrítica.

-É, pode ser.

-É, pois é.

-Aiai.